Um estudo controlado, randomizado e duplo-cego liderado pelo Dr. Ajetunmobi e colegas (A&A, 2025) revelou que o sugamadex, um novo agente de reversão do bloqueio neuromuscular, não oferece uma recuperação mais rápida da anestesia em comparação à neostigmina em pacientes obesos mórbidos com apneia obstrutiva do sono (AOS) submetidos à cirurgia bariátrica.
Contexto
Os bloqueadores neuromusculares (BNMs) são essenciais em procedimentos bariátricos para facilitar a intubação e o relaxamento muscular. No entanto, a reversão de seus efeitos no pós-operatório é fundamental para evitar complicações como o bloqueio neuromuscular residual (BNM), que pode ocorrer em até 64% dos casos com o uso de neostigmina.
A AOS, prevalente em 71% a 86% dos pacientes de cirurgia bariátrica, aumenta significativamente o risco de complicações pulmonares pós-operatórias. Considerando esses riscos, uma reversão mais eficaz e rápida do DNM pode ser benéfica para melhorar os resultados.
Desenho do estudo
- Formato: Ensaio clínico duplo-cego, randomizado e controlado
- Participantes: 120 adultos obesos mórbidos diagnosticados com AOS
- intervenções:Os pacientes foram randomizados 1:1 para receber:
- Sugamadex (2 mg/kg)
- Neostigmina (2.5 mg) + glicopirrolato (0.4 mg)
- Sugamadex (2 mg/kg)
- Monitoramento: A contagem de sequência de quatro (TOF) foi usada para avaliar a função neuromuscular
- Resultado primário: Tempo entre a administração do medicamento e a alta do centro cirúrgico (CC)
Principais conclusões
Nenhuma diferença significativa no resultado primário
- Grupo Sugamadex: Tempo médio de alta do OR de 13.0 minutos
- Grupo neostigmina: Tempo médio de alta do OR de 13.5 minutos
Resultados secundários
Não foram observadas diferenças significativas em:
- Tempo para extubação
- Hora de abrir os olhos
- Hora de segurar com força
- Hora de passar da mesa de cirurgia para a cama
Diferenças na PACU (Unidade de Cuidados Pós-anestésicos)
- Permanência na UCPA foi mais no grupo sugamadex: 150 vs. 127 minutos (Este resultado é confundido por uma política obrigatória de permanência de 2 horas na SRPA para pacientes com AOS.)
Resultados de segurança
- Não houve diferenças significativas nas complicações intra ou pós-operatórias.
- Incidência de dessaturação na SRPA: 5 pacientes (sugamadex) vs. 3 (neostigmina)
- Nenhum caso de complicações pulmonares pós-operatórias graves
Considerações importantes
Diferença de custo
- Sugamadex: ~$95 por frasco
- Neostigmina: ~$4 por dose
Devido ao seu alto custo, o sugamadex é normalmente reservado para cenários de resgate em muitas instituições.
Limitações metodológicas
- A dose de neostigmina (2.5 mg) foi menor do que as recomendações de dosagem atuais com base no peso do paciente.
- O estudo não teve monitoramento neuromuscular quantitativo, o que pode afetar a capacidade de detectar NMB residual.
- A alta da UCPA não foi avaliada; todos os pacientes foram mantidos por um mínimo de 2 horas devido à política institucional.
Implicações clínicas
- Este estudo apoia o uso contínuo de neostigmina como uma alternativa clinicamente equivalente e com boa relação custo-benefício ao sugamadex em casos bariátricos de rotina.
- A baixa taxa de complicações ressalta a importância de centros experientes e de alto volume no tratamento de pacientes com AOS de alto risco.
Resumo em tópicos
- Sugamadex e neostigmina fornecidos tempos de descarga OR semelhantes em pacientes com AOS.
- Não houve diferenças significativas nos marcos de recuperação ou nas taxas de complicações.
- Sugamadex não reduziu os riscos pulmonares pós-operatórios em comparação à neostigmina.
- Apoios de estudo neostigmina como um medicamento eficaz e econômico escolha para reversão do NMBD.
- São necessários ensaios mais robustos, monitorados quantitativamente e focados em custos.
Referência: Ajetunmobi O et al. Anesth Analg. 2025; 140: 568-576.
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