Dor crônica e múltiplas condições de saúde de longo prazo: o que acontece quando elas se unem? Com mais da metade dos indivíduos com multimorbidade apresentando dor crônica, os médicos frequentemente se deparam com escolhas difíceis sobre como lidar com a dor nesse grupo complexo. Uma revisão sistemática recente publicada na Jornal Britânico de Anestesia por Grant et al. (2025) oferece insights críticos sobre os riscos associados aos analgésicos comumente prescritos: opioides, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e gabapentinoides.
O que é multimorbidade?
Multimorbidade refere-se à presença de duas ou mais condições de saúde física ou mental de longo prazo no mesmo indivíduo. Este fenômeno cada vez mais comum, especialmente em populações envelhecidas, está associado a:
- Qualidade de vida reduzida
- Aumento da utilização dos cuidados de saúde
- Taxas de mortalidade mais elevadas
- Desafios na gestão clínica devido à polifarmácia e diretrizes de tratamento conflitantes
Dor crônica na multimorbidade
A dor é um sintoma frequente e frequentemente mal controlado em pessoas com múltiplas condições de saúde. Apesar da alta prevalência, as diretrizes clínicas para dor crônica raramente fornecem recomendações para pacientes com multimorbidade. Da mesma forma, os pacientes multimórbidos são sub-representados em ensaios clínicos, deixando uma lacuna significativa de evidências.
Opioides: eficazes, mas perigosos?
Entre 16 estudos que examinaram o uso de opioides:
- 12 apresentaram evidências de danos
- Os danos relatados incluíram:
- Maior risco de overdose de opiáceos
- Mais alto taxas de mortalidade
- Maiores taxas de readmissão hospitalar
- Mais frequente eventos adversos a medicamentos relacionados a opioides (ORADEs)
- Elevado risco de fraturas de quadril e abuso de opiáceos
Exemplos de descobertas:
- O uso de opioides em pacientes multimórbidos com sepse foi associado a uma aumento de sete vezes na mortalidade
- Pacientes idosos que tomavam opioides tiveram internações hospitalares mais longas e readmissões mais frequentes de 30 dias
- Índice de Comorbidade de Charlson (ICC) mais alto pontuações correlacionadas com risco aumentado de ORADEs
AINEs: alívio duplo
Entre 11 estudos relacionados a AINEs:
- 6 apresentaram evidências de danos
- Os danos associados incluem:
- Hemorragia gastrointestinal
- Lesão Renal Aguda (LRA)
- Aumento mortalidade
- Possiveis eventos cardiovasculares
Principais insights:
- O uso de AINEs no pós-operatório aumentou a necessidade de transfusão de glóbulos vermelhos
- A exposição aos AINEs foi associada a depressão resistente ao tratamento em pacientes com condições de saúde mental concomitantes
- Usuários de AINEs com múltiplas comorbidades apresentaram aumento do risco de mortalidade seguintes eventos cardiovasculares
Gabapentinoides: um ponto cego na pesquisa
Preço: um estudo abordou o uso de gabapentinoides em pacientes multimórbidos. Constatou-se que:
- Associações com delírio e pneumonia
- Nenhuma ligação clara para aumento da mortalidade
Implicações clínicas e recomendações
- Avaliar multimorbidade usando ferramentas validadas (por exemplo, Índice de Comorbidade de Charlson).
- Evite opioides como opção de primeira linha; explore terapias não farmacológicas como TCC, fisioterapia ou acupuntura.
- Limite o uso de AINEs, especialmente em pacientes com problemas gastrointestinais, renais ou cardiovasculares.
- Comece baixo e vá devagar com todos os analgésicos.
- Monitore de perto para eventos adversos, especialmente durante transições de cuidados.
- Evite a polifarmácia e duplicação desnecessária de medicamentos.
- Discuta os riscos com os pacientes e envolvê-los na tomada de decisões compartilhada.
Conclusão
O manejo da dor em pacientes com multimorbidade exige uma abordagem diferenciada que equilibre os benefícios com os riscos significativos. Esta revisão histórica recomenda cautela na prescrição, monitoramento mais rigoroso e um foco renovado em pesquisas que incluam os pacientes mais frequentemente atendidos em cenários reais.
Referência: Conceder CH. Ir. J Anaesth. 2025; 134: 1717-1745.
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