Placenta acreta O espectro aterosclerótico (PAS) continua sendo uma das condições mais desafiadoras e de alto risco na obstetrícia moderna. Um estudo multicêntrico recentemente publicado por Padilla et al. (Anesthesiology, 2026) fornece informações cruciais sobre os padrões de manejo anestésico durante a cesariana. histerectomia, oferecendo orientações valiosas para os médicos que precisam lidar com esse cenário complexo.
O que é o espectro da placenta acreta?
O espectro da placenta acreta refere-se à aderência ou invasão anormal da placenta na parede uterina. É categorizado em três subtipos com base na profundidade da invasão:
- Placenta acreta – aderência superficial ao miométrio
- Placenta increta – invasão do miométrio
- Placenta percreta – penetração através do útero, possivelmente envolvendo órgãos adjacentes.
Por que é importante
- A síndrome de aderência peritoneal (PAS) está associada a hemorragia obstétrica maciça.
- Frequentemente requer histerectomia cesariana
- Apresenta morbidade e mortalidade materna significativas.
A incidência aumentou drasticamente, de aproximadamente 1 em cada 10,000 partos na década de 1960 para 3.11 por 1,000 partos atualmente, em grande parte devido ao aumento das taxas de cesariana.
Visão geral do estudo: análise multicêntrica de grande porte
Este estudo histórico analisou:
- 1,257 pacientes
- 43 hospitais dos EUA
- Prazo: 2015-2021
O objetivo foi avaliar as práticas anestésicas reais em pacientes com síndrome de abstinência perioperatória submetidas a histerectomia cesariana.
Principais modalidades anestésicas estudadas
- Anestesia geral (AG)
- Anestesia neuroaxial (raquidiana, epidural, combinada raquidiana-epidural)
- Anestesia neuroaxial com conversão para anestesia geral
Principais conclusões: como a anestesia é realmente praticada
Distribuição de técnicas de anestesia
- 40.3% – anestesia neuroaxial com conversão para anestesia geral
- 33.3% – anestesia geral sozinha
- 26.5% – anestesia neuroaxial isolada
A abordagem mais comum foi a combinação de anestesia neuroaxial e geral, geralmente envolvendo conversão planejada ou não planejada.
Por que a escolha do anestésico varia?
-
Gravidade da invasão placentária
Pacientes com doença mais grave apresentaram maior probabilidade de receber anestesia geral:
- Placenta increta → OR 2.04
- Placenta percreta → OR 2.14
Raciocínio clínico:
- Aumento do risco de hemorragia
- Duração cirúrgica mais longa
- Necessidade de controle rápido das vias aéreas e estabilidade hemodinâmica.
-
Cirurgia agendada versus cirurgia de emergência
- Casos não agendados apresentaram probabilidade significativamente maior de anestesia geral (OR 3.28)
Explicação:
- Situações de emergência frequentemente envolvem sangramento ativo.
- Tempo de preparação limitado
- Em casos de maior urgência, a indução rápida é favorecida.
-
Comorbidade do paciente (classificação ASA)
Um melhor estado físico segundo a classificação ASA aumentou a probabilidade de necessidade de anestesia geral:
- ASA III → OR 1.57
- ASA IV → OR 2.95
Isso reflete preocupações sobre:
- Instabilidade fisiológica
- Risco de deterioração intraoperatória
- Necessidade de vias aéreas controladas e ventilação
-
Variação institucional
- 37% de variabilidade A escolha do anestésico deveu-se a fatores institucionais.
Isso inclui:
- Protocolos locais
- Disponibilidade de expertise
- Preferências da equipe cirúrgica
- Estratégias de gerenciamento do sangue
Anestesia neuroaxial: tendência crescente
Apesar da preferência histórica pela anestesia geral, o estudo destaca uma mudança crescente:
- O uso exclusivo de vias neuroaxiais aumentou ao longo do tempo.
- Alguns centros estão adotando cada vez mais essa prática. abordagens combinadas ou em etapas
Vantagens das técnicas neuroaxiais
- Consciência materna durante o parto
- Redução das complicações das vias aéreas
- Melhor analgesia pós-operatória
- Menor exposição neonatal a agentes anestésicos
Conversão de anestesia neuroaxial para anestesia geral
Por que ocorre a conversão?
A conversão pode ser:
Planejado
- Após o parto do feto
- Para facilitar a histerectomia
unplanned
- hemorragia maciça
- Analgesia inadequada
- Exposição cirúrgica inadequada
Insight chave
- Mais de 50% das conversões tinham documentação pouco clara.
- Esses casos tinham maiores perdas de sangue e taxas de transfusão
Isso sugere que muitas conversões podem ser reativo a complicações intraoperatórias.
Hemorragia e transfusão: desafios centrais
Perda de sangue
- Perda sanguínea estimada mediana: 2,000 mL
- Mais elevado no grupo de anestesia combinada
Taxas de transfusão
- > 50% receberam transfusão de glóbulos vermelhos
- Volume médio de transfusão: 903 mL
Outros produtos:
- Plasma fresco congelado: 28.5%
- Plaquetas: 12.7%
- Crioprecipitado: 9.1%
Papel da recuperação celular
- Usado apenas em 21.2% dos casos
Implicação clínica:
- Subutilização da tecnologia de economia de energia das células
- Potencial oportunidade para reduzir a transfusão alogênica.
Abordagem passo a passo para o planejamento da anestesia em PAS

Conclusão
Este estudo multicêntrico reformula nossa compreensão da anestesia no espectro da placenta acreta. A predominância da anestesia combinada neuroaxial e geral reflete um equilíbrio pragmático entre a segurança materna e as exigências cirúrgicas.
Com o aumento contínuo da incidência de PAS, os anestesiologistas devem adotar as seguintes práticas:
- Estratégias flexíveis
- Tomada de decisão baseada em evidências
- Forte coordenação multidisciplinar
Em última análise, adequar a anestesia à condição do paciente, à complexidade cirúrgica e à experiência institucional continua sendo a pedra angular do atendimento ideal.
Referência: Padilla A et al. Modalidade de anestesia para pacientes com espectro de placenta acreta submetidas a histerectomia cesariana: um relatório do banco de dados do Grupo Multicêntrico de Resultados Perioperatórios. Anestesiologia. 2026; 144: 535-545.
Para obter mais informações e fluxogramas práticos sobre placenta acreta, consulte o guia da NYSORA. Manual de Anestesiologia!
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