O bloqueio do plexo cervical é indicado para endarterectomia carotídea, procedimentos superficiais do pescoço e analgesia para fraturas de clavícula. Este bloqueio tem como alvo o plexo cervical, que é formado pelos ramos anteriores dos nervos espinhais cervicais C1-C4. A técnica visa distribuir o anestésico local ao redor dos ramos superficiais do plexo, conseguindo anestesia sensitiva na região anterolateral do pescoço, nas áreas retroauriculares e na pele acima e abaixo da clavícula.
O plexo cervical é uma rede significativa de nervos que desempenha um papel essencial nas funções sensoriais e motoras do pescoço e partes do tronco superior. Sua importância em aplicações clínicas, particularmente em anestesia regional, não pode ser exagerada. Este artigo de Jarvis e outros 2023 explora a anatomia do plexo cervical, várias técnicas de bloqueio nervoso, potenciais complicações e indicações clínicas.
Pontos-chave do plexo cervical
- Estrutura: O plexo cervical é composto por ramos sensoriais e motores derivados dos ramos anteriores dos nervos cervicais C1 a C4.
- Divisões: Possui ramos superficiais (sensoriais) e profundos (motores).
- Inervação: Fornece inervação sensorial ao pescoço e à parte anterior superior do tronco e inervação motora aos músculos do pescoço.
- Aplicações: Usado em vários procedimentos médicos, incluindo anestesia regional para cirurgias envolvendo o pescoço, clavícula ou ombro.
Anatomia do plexo cervical
Fáscia cervical
O plexo cervical fica dentro do pescoço, cercado por camadas de fáscia cervical que protegem e compartimentam estruturas vitais:
- Fáscia cervical superficial: contém o músculo platisma, veias superficiais e linfonodos.
- Fáscia cervical profunda: Inclui as camadas de revestimento, pré-traqueal, pré-vertebral e a bainha carótida.
Ramos do plexo cervical
- Ramos superficiais: Principalmente sensoriais, suprindo a pele do pescoço e partes da cabeça e dos ombros.
- Nervo Occipital Menor (C2)
- Grande Nervo Auricular (C2-C3)
- Nervo Cervical Transverso (C2-C3)
- Nervos supraclaviculares (C3-C4)
- Ramos profundos: Principalmente motores, inervando os músculos do pescoço.
- Inclui conexões com o nervo frênico (C3-C5), que inerva o diafragma.
Técnicas de anestesia regional
Bloqueio do plexo cervical superficial
- Atua nos ramos sensoriais do plexo cervical.
- Realizado usando referências anatômicas ou orientação por ultrassom.
- A injeção ao longo da borda posterior do músculo esternocleidomastóideo cria uma distribuição de anestésico local “semelhante a uma salsicha”.
Bloqueio do plexo cervical profundo
- Usado para bloqueio motor ou bloqueio sensório-motor combinado.
- As técnicas tradicionais incluem:
- Abordagem posterior: inserção da agulha através dos músculos extensores do pescoço (menos comumente usada devido ao desconforto do paciente).
- Abordagem lateral: inserção da agulha nos processos transversos das vértebras C2-C4.
- A orientação por ultrassom aumenta a segurança e a precisão.
Bloqueio do plexo cervical intermediário
- Este bloqueio foi introduzido mais recentemente e tem como alvo o plano fascial entre os músculos esternocleidomastóideo e prevertebral.
- Reduz riscos associados a estruturas mais profundas.
Complicações dos bloqueios do plexo cervical
Embora eficazes, os bloqueios do plexo cervical apresentam alguns riscos, incluindo:
- Infecção: Minimizada por técnica asséptica rigorosa.
- Formação de hematomas: Particularmente em pacientes com coagulopatias.
- Lesão nervosa: evitada por meio do manuseio cuidadoso da agulha e injeções de baixa pressão.
- Riscos específicos de bloqueios profundos:
- Paralisia do nervo frênico, causando paralisia diafragmática.
- Injeção intravascular acidental ou colocação subaracnóidea.
- Síndrome de Horner devido ao envolvimento da cadeia simpática.
Indicações clínicas
Os bloqueios do plexo cervical são versáteis e amplamente utilizados na prática médica:
- Procedimentos cirúrgicos:
- Endarterectomia carotídea
- Tireoidectomia
- Discectomia cervical e fusão
- Tratamento da dor:
- Analgesia pós-operatória para cirurgias envolvendo o pescoço ou clavícula.
- Tratamento de emergência de fraturas dolorosas da clavícula.
- Inserção do cateter:
- Aumenta o conforto do paciente durante a cateterização da veia jugular interna.
Conclusão
O plexo cervical é uma estrutura anatômica crítica com aplicações significativas em anestesia e tratamento da dor. A orientação por ultrassom melhorou a segurança e a eficácia dos bloqueios do plexo cervical, tornando-os indispensáveis na prática clínica moderna. Entender a anatomia e as técnicas associadas ao plexo cervical é vital para profissionais de saúde que realizam anestesia cirúrgica, alívio da dor ou outras intervenções.
Para mais informações, consulte o artigo completo em BJA Educação.
Jarvis MS, Sundara Rajan R, Roberts AM. O plexo cervical. BJA Educ. 2023 fev;23(2):46-51. doi: 10.1016/j.bjae.2022.11.008.
Passo a passo: três etapas principais para realizar um bloqueio do plexo cervical
- Coloque o transdutor transversalmente sobre o aspecto lateral do pescoço para identificar o músculo esternocleidomastóideo (SCM).
- Os ramos superficiais dos ramos cervicais estão localizados sob o ECM.
- Insira a agulha no plano, atrás da borda posterior do SCM, e injete 5-8 mL de anestésico local entre as camadas fasciais que contêm os ramos do plexo cervical.
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