O que há de novo
A diretriz DAS de 2025, intitulada “Gestão da intubação traqueal difícil e inesperada em adultos”, é uma grande atualização de autoria de Imran Ahmad et al. e publicada em Jornal Britânico de Anestesia.
Características chave:
- 1,241 artigos foram analisados por meio de revisão sistemática, utilizando o processo Delphi em três rodadas ao longo de 3 anos.
- 65 recomendações abrangendo domínios importantes: avaliação, peroxigenação, fatores humanos, cuidados pós-intubação e muito mais.
- Mantém o algoritmo linear de Plano A → Plano B → Plano C → Plano D (intubação → via aérea supraglótica → ventilação com máscara facial → via aérea de emergência na região anterior do pescoço).
- enfatiza maximizando o sucesso (primeira passagem, oxigenação) em vez de apenas gerenciar falhas.
Por isso é importante
- Inesperado via aérea difícil Situações adversas continuam sendo uma importante causa de morbidade e mortalidade perioperatória; evidências atualizadas indicam que a prática precisa evoluir.
- Os médicos agora contam com uma ferramenta moderna e baseada em evidências para orientar o tratamento quando a intubação se torna desafiadora.
- A diretriz sintetiza avanços tecnológicos (como videolaringoscopia e ultrassom à beira do leito), fatores humanos e pensamento sistêmico no manejo das vias aéreas.
Domínios destacados e principais alterações
1. Avaliação e planejamento pré-intubação
- A diretriz reforça a avaliação estruturada das vias aéreas E cria uma estratégia para a via aérea fisiologicamente difícil (ex.: choque, hipóxia grave, obesidade).
- O planejamento inclui a preparação do equipamento, a definição das funções da equipe, os planos de contingência e o uso de recursos cognitivos.
2. Estratégias de peroxigenação e oxigenação
- A administração contínua de oxigênio durante todo o manejo das vias aéreas é priorizada.
- Estratégias como oxigênio nasal de alto fluxo, ventilação não invasiva e elevação gradual da cabeça recebem ênfase.
3. Sucesso na primeira tentativa e estratégia de dispositivos
- O documento enfatiza a importância de maximizar o sucesso da intubação na primeira tentativa, utilizando ferramentas e técnicas apropriadas.
- O uso universal da videolaringoscopia é cada vez mais esperado, e a diretriz incorpora evidências para isso.
4. Usando o algoritmo: Plano A a D
- Plano A: Intubação traqueal.
- Plano B: Ventilação com dispositivo supraglótico para vias aéreas.
- Plano C: Ventilação com máscara facial.
- Plano D: Via aérea de emergência pela parte anterior do pescoço (eFONA).
- A diretriz reforça a importância de progressão rápida por meio de planos para o caso de falha e critérios claros para quando passar para o próximo plano.
5. Fatores humanos, trabalho em equipe e treinamento
- Uma forte ênfase em aspectos não técnicos: reuniões de equipe, atribuição de funções, treinamento por simulação e documentação clara.
- A diretriz enfatiza que melhorar o sucesso não depende apenas de dispositivos, mas também de sistemas e pessoas.
6. Cuidados e documentação pós-intubação
- Após o manejo bem-sucedido das vias aéreas, a diretriz enfatiza a confirmação do posicionamento (capnografia de onda), o monitoramento da ventilação e da oxigenação e a documentação do ocorrido (incluindo um plano para o caso de surgirem novas dificuldades com as vias aéreas).
Resumo de referência rápida: o que sua equipe deve fazer?
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Preparação pré-intubação:
- Realizar avaliação das vias aéreas e sinalizar possíveis dificuldades.
- Certifique-se de que o equipamento (videolaringoscópio, guia/estilete, dispositivos supraglóticos, kit eFONA), as funções da equipe e o plano estejam prontos.
- Pré-oxigene bem o paciente; considere uma posição inclinada para a frente para pacientes obesos ou com problemas fisiológicos.
- Realizar avaliação das vias aéreas e sinalizar possíveis dificuldades.
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Tentativa de intubação (Plano A):
- Utilize a videolaringoscopia como primeira opção, sempre que disponível.
- Busque o sucesso na primeira tentativa.
- Caso não seja possível obter sucesso dentro do período/tentativas definido, passe para o Plano B.
- Utilize a videolaringoscopia como primeira opção, sempre que disponível.
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Plano B / Plano C:
- Insira um dispositivo supraglótico para as vias aéreas caso a intubação falhe (Plano B).
- Se isso falhar, considere a ventilação com máscara facial (Plano C) — mas saiba quando prosseguir.
- Insira um dispositivo supraglótico para as vias aéreas caso a intubação falhe (Plano B).
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Plano D – eFONA:
- Se você estiver em um cenário de "não consigo intubar, não consigo oxigenar", proceda imediatamente com a intubação de emergência pela região anterior do pescoço.
- Todos os membros da equipe devem conhecer este plano e saber como executá-lo.
- Se você estiver em um cenário de "não consigo intubar, não consigo oxigenar", proceda imediatamente com a intubação de emergência pela região anterior do pescoço.
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Pós-intubação e transferência de cuidados:
- Confirme o posicionamento do tubo com capnografia.
- Monitorar oxigenação, ventilação e hemodinâmica.
- Documente o trajeto das vias aéreas, qual dispositivo foi utilizado, por que ocorreu a falha (se aplicável) e planeje a extubação/próxima via aérea.
- Reunião de avaliação com a equipe para fins de aprendizado.
- Confirme o posicionamento do tubo com capnografia.
Dicas de implementação para o seu departamento
- Passo 1: Divulgue as diretrizes entre suas equipes de anestesia e vias aéreas (consultores, residentes, equipe do centro cirúrgico, equipe da UTI).
- Passo 2: Revise suas listas de verificação de equipamentos para vias aéreas: inclua videolaringoscópio (se disponível), guia/estilete, dispositivos supraglóticos, kit eFONA e acessórios de oxigenação.
- Passo 3: Atualize seus algoritmos de vias aéreas e cartazes em salas de cirurgia e UTIs para refletir o Plano A→B→C→D e a ênfase no sucesso na primeira tentativa.
- Passo 4: Planeje sessões de simulação que incluam cenários de intubação difícil não previstos, com foco em trabalho em equipe, fatores humanos e transições entre planos.
- Passo 5: Audite os eventos relacionados às vias aéreas: monitore a taxa de sucesso na primeira tentativa, o número de tentativas, o uso de dispositivos de resgate, o uso do eFONA e as complicações; forneça feedback à sua equipe.
- Passo 6: Assegure-se de que os modelos de documentação registrem o plano de via aérea, o que foi utilizado, quaisquer dificuldades, como foram gerenciadas e o plano de extubação/transferência de paciente.
Considerações finais
A diretriz DAS de 2025 representa um avanço significativo no manejo das vias aéreas em adultos, combinando evidências atualizadas, uma estrutura algorítmica clara e uma forte ênfase na maximização do sucesso, em vez de apenas no manejo das falhas. Para anestesistas, intensivistas e profissionais de emergência que atuam em vias aéreas, esta é uma leitura essencial.
Ao incorporar essas recomendações no fluxo de trabalho do seu departamento, você pode ajudar a melhorar a segurança do paciente, o desempenho da equipe e os resultados em um dos momentos de maior risco no cuidado perioperatório.
Referência: Ahmad I et al. Diretrizes da Difficult Airway Society de 2025 para o manejo da intubação traqueal difícil não prevista em adultos. Ir. J AnaesthPublicado online em 7 de novembro de 2025.
Leia mais sobre este tópico na seção Atualizações de Anestesia do Aplicativo Assistente de Anestesia.
