Introdução
A ampla adoção de agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1 RAs), como a semaglutida e a tirzepatida, transformou o tratamento da doença. tipo 2 diabetes mellitus e obesidadeNo entanto, novas evidências estão levantando preocupações importantes para anestesiologistas e profissionais clínicos do período perioperatório.
Um novo estudo clínico da Clínica Mayo, publicado em Anestesia e Analgesia (2026), fornece informações essenciais sobre como esses medicamentos influenciam a fisiologia gástrica e podem aumentar o risco de aspiração pulmonar durante a anestesia.
O que são agonistas do receptor GLP-1?
Os agonistas do receptor GLP-1 são terapias baseadas em incretinas que:
- Aumentar a secreção de insulina dependente de glicose
- Suprimir a liberação de glucagon
- Esvaziamento gástrico lento
- Promover a saciedade e a perda de peso
Os medicamentos comuns incluem:
- Semaglutide
- Tirzepatida
- Dulaglutida
- Liraglutide
Sua capacidade de retardar o esvaziamento gástrico é fundamental tanto para seus benefícios terapêuticos quanto para os riscos perioperatórios.
Por que o retardo do esvaziamento gástrico é importante na anestesia?
aspiração pulmonar ocorre quando o conteúdo gástrico entra nos pulmões durante a anestesia, podendo levar a:
- Pneumonite por aspiração
- Síndrome do desconforto respiratório agudo (ARDS)
- Aumento da morbidade e mortalidade perioperatórias
As diretrizes padrão de jejum (por exemplo, 6 a 8 horas para alimentos sólidos) visam minimizar esse risco. No entanto, os agonistas do receptor de GLP-1 podem comprometer essa margem de segurança.
Visão geral do estudo
Projeto e população
- 316 pacientes adultos em GLP-1 RAs
- Realizado em três centros da Clínica Mayo
- Avaliação pré-operatória utilizando ultrassom gástrico (GUS)
Definição de conteúdo gástrico de alto risco
- Alimentos sólidos presentes
- Or >1.5 mL/kg de volume de fluido gástrico
Keles encontrams
-
Alta prevalência de conteúdo gástrico residual
- 35.8% de pacientes apresentava alto conteúdo gástrico residual (CGR)
- Isso ocorreu apesar da adesão às diretrizes de jejum.
-
A suspensão insuficiente da medicação aumenta o risco.
- Pacientes com níveis elevados de RGC suspenderam os agonistas do receptor de GLP-1 por um período mais curto.
- Limite crítico: ≤7.5 dias antes da cirurgia risco aumentado
-
A duração do jejum é crucial.
- Pacientes com níveis elevados de RGC jejuaram por períodos mais curtos.
- Limite crítico: ≤21.3 horas para alimentos sólidos
Este período é significativamente maior do que as recomendações padrão de jejum.
-
O uso de opioides pode agravar a retenção gástrica.
- Maior prevalência de uso recente de opioides no grupo com alto RGC
- Sugere um efeito aditivo na motilidade gástrica.
-
Não há diferença na indicação ou duração da terapia.
- O fato de os pacientes utilizarem agonistas do receptor de GLP-1 para diabetes ou perda de peso não afetou o risco.
- A duração da terapia não foi um fator preditivo significativo.
Interpretação
- A suspensão da alimentação por ≤7.5 dias → maior risco de retenção do conteúdo gástrico.
- Jejum ≤21.3 horas → preditor mais forte de RGC elevado
Esses limiares otimizam a sensibilidade e a especificidade para a detecção de risco.
Como ultrassom gástrico ajuda
O que é ultrassom gástrico (GUS)?
Uma técnica de imagem à beira do leito utilizada no pré-operatório para avaliar:
- Volume gástrico
- Natureza do conteúdo (vazio, líquido ou sólido)
Vantagens clínicas
- Não-invasivo
- Avaliação rápida à beira do leito
- Orienta a tomada de decisões em anestesia.
Impacto no estudo
- 38.9% dos pacientes apresentaram alterações no manejo anestésico.
- Pacientes de alto risco frequentemente recebiam:
- Indução de sequência rápida (RSI)
- Em alguns casos, o procedimento pode ser adiado ou cancelado.
Implicações clínicas
-
As diretrizes padrão de jejum podem ser inadequadas.
Usuários de agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1 RA) ainda podem apresentar conteúdo gástrico significativo, apesar de:
- jejum de 8 horas
- Adesão às diretrizes
-
A avaliação individualizada de riscos é essencial.
Os médicos devem considerar:
- Duração da suspensão do medicamento
- Duração do jejum
- Presença de sintomas gastrointestinais
- Uso de opioides ou outros medicamentos que alteram a motilidade.
-
Os planos de anestesia podem precisar de modificações.
Para pacientes de alto risco:
- Indução de sequência rápida
- Estratégias de proteção das vias aéreas
- Considere adiar procedimentos eletivos.
Abordagem passo a passo para o manejo perioperatório
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Avaliação pré-operatória
- Revisão do uso de agonistas do receptor de GLP-1:
- Formato
- Dose
- Última administração
- Avaliar os sintomas:
- Náusea
- vómitos
- Inchaço
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Gerenciamento de medicação
- Considere a possibilidade de reter:
- Dosagem diária → pelo menos 24 horas
- Dosagem semanal → até 7 dias ou mais
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Otimização do jejum
- Prolongar o período de jejum para alimentos sólidos:
- Procure manter o horário por mais de 21 horas, se possível.
- Utilize líquidos transparentes conforme as instruções.
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Realizar ultrassonografia gástrica (se disponível).
- Identificar pacientes de alto risco
- Quantificar o volume gástrico
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Ajustar o plano de anestesia
- Baixo risco:
- Indução padrão
- Alto risco:
- Indução de sequência rápida
- proteção das vias aéreas
- Possível atraso
Diretrizes clínicas em evolução
As recomendações atuais variam:
- ASA (2023):
- Suspenda os agonistas do receptor de GLP-1 semanalmente por 7 dias.
- Orientações atualizadas (2024):
- Continuar em pacientes de baixo risco
- Considere uma dieta líquida por 24 horas.
- Consenso do Reino Unido (2025):
- Utilize a ultrassonografia gástrica para estratificação de risco.
Limitações do estudo
- Projeto retrospectivo
- Tamanho da amostra limitado (316 pacientes)
- Viés de seleção (pacientes com maior probabilidade de receber ultrassom)
- Dados limitados sobre formulações orais de GLP-1
Direções futuras
É urgente a realização de mais pesquisas para:
- Defina a duração ideal do jejum.
- Estabelecer protocolos perioperatórios padronizados
- Avaliar o risco de aspiração no mundo real
Conclusão
O aumento do uso de agonistas do receptor GLP-1 representa um novo desafio na medicina perioperatória. Este estudo destaca que:
- O retardo no esvaziamento gástrico é clinicamente significativo.
- As diretrizes padrão de jejum podem ser insuficientes.
- A ultrassonografia gástrica é uma ferramenta valiosa para a estratificação de risco.
Com o uso cada vez mais frequente de GLP-1, os anestesiologistas precisam adaptar suas práticas para garantir a segurança do paciente.
Para mais informações, consulte o artigo completo em Anestesia e Analgesia
Pai SL, Nimma SR, Beam WB, et al. Avaliação do conteúdo gástrico por meio de ultrassom gástrico em pacientes em uso de agonistas do receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon antes da anestesia. Anesth Analg. 2026;142(4):640-649.
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