O bloqueio do plano eretor da espinha (ESP) é uma nova técnica do plano interfascial que foi descrita pela primeira vez em 2016 por Forero et al. A técnica é indicada para analgesia de fraturas de costelas e cirurgias de coluna e parede torácica.
Um novo estudo por Gadsden e outros 2024 fornece novos insights sobre como o volume de injeções anestésicas influencia a dispersão do anestésico durante bloqueios do plano eretor da espinha (ESP). Esta pesquisa visa aumentar nossa compreensão do mecanismo do bloqueio e oferecer orientação valiosa para aplicação clínica.
Contexto
Os bloqueios ESP são cada vez mais usados para alívio da dor durante cirurgias torácicas e lombares. A técnica envolve injeção guiada por ultrassom de anestésico local profundamente no plano do músculo eretor da espinha (ES) próximo aos processos transversos das vértebras. Comparados a outras técnicas de anestesia regional, os bloqueios ESP ganharam popularidade porque são percebidos como mais simples, seguros e eficazes.
No entanto, incertezas permanecem sobre o volume ideal de injeção e sua influência na dispersão do anestésico. Alguns estudos clínicos e cadavéricos relatam extensões variáveis de bloqueio sensorial e envolvimento nervoso, indicando a necessidade de investigação adicional.
Objetivos e métodos do estudo
Este estudo explorou a relação entre o volume de injeção e a extensão de sua dispersão cefalocaudal em bloqueios ESP torácicos e lombares. Os pesquisadores também examinaram se volumes de injeção mais altos podem resultar em dispersão para áreas não intencionais, como os espaços paravertebrais ou epidurais.
Os principais processos incluíram:
- Cadáveres: Dois cadáveres humanos não embalsamados foram usados para garantir a integridade do tecido, assemelhando-se às condições de vida.
- Técnica de injeção: Injeções de ESP guiadas por ultrassom foram administradas incrementalmente nos níveis torácico e lombar usando uma solução de contraste radiográfico misturada com corante.
- Dissecção e imagem: Imagens radiográficas e subsequente dissecção do tecido foram realizadas para avaliar a distribuição do corante e identificar qualquer disseminação não intencional.
Consistentes
Propagação do injetável:
- Maiores volumes de injeção resultaram em maior dispersão cefalocaudal, embora o aumento tenha se estabilizado em volumes mais altos.
- Para injeções torácicas:
- 30 mL distribuídos em 4–7 níveis vertebrais.
- 60–80 mL aumentaram ligeiramente a dispersão, atingindo até 9 níveis em alguns casos.
- Para injeções lombares:
- 30 mL normalmente distribuídos em 3–4 níveis, com distribuição menos extensa do que na região torácica.
Coloração de corante durante a dissecção:
- O corante coloriu predominantemente a superfície ventral do músculo ES e os ramos dorsais.
- Não foi observada coloração nos espaços paravertebral, epidural ou pleural, independentemente do volume.
- Volumes maiores apresentaram coloração lateral e dorsal, mas não conseguiram atingir os ramos ventrais ou estruturas anteriores.
Ausência de propagação não intencional:
- Mesmo com altos volumes de injeção (até 80 mL), não houve evidência de disseminação para áreas críticas como a pleura, epidural ou espaço paravertebral. Isso confirma a segurança dos bloqueios ESP em evitar essas regiões.
Implicações clínicas
As descobertas fornecem orientação para os clínicos que realizam bloqueios ESP:
- Volume ideal: Uma única injeção de 30 mL oferece analgesia eficaz em 4 a 7 níveis torácicos e 3 a 4 níveis lombares, tornando-a adequada para a maioria dos procedimentos cirúrgicos.
- Volumes maiores: volumes maiores de injeção (60–80 mL) podem beneficiar pacientes que necessitam de cobertura analgésica mais ampla, embora o aumento na dispersão seja marginal além de 60 mL.
- Segurança: O estudo tranquiliza os profissionais sobre o risco mínimo de disseminação não intencional do anestésico, mesmo com altos volumes de injeção.
Limitações do estudo
Embora as descobertas sejam promissoras, a natureza cadavérica do estudo apresenta limitações:
- Diferenças na complacência, temperatura e pressão dos tecidos entre cadáveres e pacientes vivos podem afetar a dispersão do anestésico.
- O uso de corante e contraste radiográfico, em vez de agentes anestésicos reais, pode limitar a generalização dos resultados para ambientes clínicos.
- Descobertas de apenas dois cadáveres requerem validação por meio de estudos maiores com sujeitos vivos.
Conclusão
Este estudo avança nossa compreensão da relação entre volume de injeção e dispersão anestésica em bloqueios ESP. Ele destaca a eficácia de 30 mL para uso clínico de rotina e tranquiliza os profissionais sobre a segurança de volumes maiores para evitar áreas críticas.
Para mais informações, consulte o artigo completo em Anestesia Regional e Medicina da Dor.
Gadsden J, Gonzales J, Chen A. Relação entre volume de injeção e disposição no bloqueio do plano eretor da espinha: um estudo em cadáver. Reg Anesth Pain Med. 2024 Jul 8;49(7):511-517.
Vamos delinear três etapas principais para um procedimento de bloqueio ESP bem-sucedido:
- Selecione o processo transversal alvo e coloque o transdutor em uma orientação sagital paramediana, a aproximadamente 2 cm de distância da linha média.
- Identifique as seguintes estruturas no ultrassom: Todas as 3 camadas dos músculos ESP, o complexo do processo transverso da costela de interesse e o espaço paravertebral. A pleura não deve ser visualizada.
- Insira a agulha no plano, de cranial para caudal, e injete 20-30 mL de anestésico local no plano profundo aos músculos ESP e superficial aos processos transversos para obter uma distribuição craniocaudal ao longo de vários níveis vertebrais.
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