A reconstrução mamária autóloga com retalho do músculo grande dorsal continua sendo uma técnica amplamente utilizada e eficaz, especialmente para pacientes submetidas à radioterapia. No entanto, o procedimento está associado a dor pós-operatória significativa devido à extensa dissecção do tecido, contribuindo para internações hospitalares prolongadas. Abordagens analgésicas tradicionais, como infiltração local administrada pelo cirurgião e infiltração sistêmica opióides, muitas vezes não conseguem otimizar a recuperação.
Recentemente, o uso da anestesia regional, particularmente a bloqueio paravertebral (PVB) e plano eretor da espinha Bloqueios (ESP) — ganharam popularidade em cirurgias de mama. Essas técnicas prometem melhor analgesia, redução do uso de opioides e recuperação mais rápida. Embora estudos anteriores tenham examinado sua utilidade na reconstrução com implantes, existem dados limitados sobre sua eficácia na reconstrução mamária autóloga. Este estudo teve como objetivo preencher essa lacuna.
Objetivo e métodos do estudo
Este estudo de coorte retrospectivo avaliou o impacto dos bloqueios PVB e ESP em comparação à analgesia por infiltração local nos resultados pós-operatórios em mulheres submetidas à mastectomia com reconstrução com retalho do músculo grande dorsal.
Participantes:
Foram incluídos 122 pacientes submetidos à cirurgia entre janeiro de 2018 e fevereiro de 2022. Os pacientes foram agrupados da seguinte forma:
- Sem bloqueio (infiltração local): n = 72
- Bloqueio paravertebral (BVP): n = 26
- Bloqueio do plano eretor da espinha (ESP): n = 24
Pacientes recebendo outros tipos de bloqueio (por exemplo, serrátil, peitoral, or epidural) ou combinações de bloqueios e infiltração local foram excluídas.
Técnicas:
- PVB: Realizado pré-operatoriamente em T4, T7 e T10 usando um transdutor de ultrassom linear de alta frequência, com 10 mL de bupivacaína ou ropivacaína injetados por nível.
- ESP: Injeções em níveis semelhantes profundamente no músculo eretor da espinha e acima do processo transverso.
- Ambos os blocos incluídos adjuvantes (dexametasona e clonidina) para prolongar o efeito analgésico.
Resultados:
- Primário: Tempo de internação pós-operatório (DI) desde a entrada na SRPA até a alta.
- Secundário: Pontuações de dor pós-operatória, uso de opioides intra e pós-operatórios (medidos em equivalentes de miligramas de morfina, MMEs), tempo até o primeiro analgésico e necessidade de antieméticos pós-operatórios.
Principais conclusões
- Duração da estadia (LOS): Os pacientes que receberam bloqueio PVB ou ESP tiveram uma internação hospitalar significativamente menor, com uma mediana de tempo de internação de 26 horas em ambos os grupos, em comparação com 48 horas no grupo de infiltração local. Após o ajuste para fatores de confusão, o PVB foi associado a uma redução de 20 horas no tempo de internação (p < 0.001), enquanto o ESP reduziu o tempo de internação em 24 horas (p < 0.001).
- Uso intraoperatório de opioides: Ambos os bloqueios regionais levaram a uma redução semelhante e significativa na necessidade de opioides intraoperatórios. Os pacientes dos grupos PVB e ESP receberam, em média, 23 mg a menos de MME em comparação com aqueles que receberam apenas infiltração local (p < 0.001).
- Uso de opioides e dor pós-operatória: Embora as diferenças não tenham sido estatisticamente significativas, tendências clinicamente relevantes foram observadas. No grupo ESP, apenas 12% dos pacientes necessitaram de opioides em altas doses no pós-operatório (> 40 MMEs), em comparação com 31% no grupo de infiltração local. Além disso, os pacientes que receberam PVB apresentaram 30% menos probabilidade de apresentar dor intensa (pontuações NRS de 9 a 10).
- Uso e segurança de antieméticos: Taxas de pós-operatório nausea e vomito foram semelhantes em todos os grupos, e nenhuma complicação relacionada ao bloqueio foi relatada, confirmando a segurança de ambas as técnicas.
Conclusão
A substituição da infiltração local por bloqueios PVB ou ESP reduziu significativamente a internação hospitalar e o uso de opioides intraoperatórios em pacientes submetidas à reconstrução mamária autóloga. Embora ambas as técnicas tenham sido igualmente eficazes na redução da internação hospitalar (LOS), os bloqueios ESP oferecem uma alternativa tecnicamente mais simples e potencialmente mais segura ao PVB, particularmente em cenários que priorizam ambulatorial recuperação cirúrgica.
Essas descobertas apoiam a integração da anestesia regional em protocolos analgésicos multimodais para reconstrução mamária e sugerem que os bloqueios ESP podem ser substitutos adequados para PVB em cenários clínicos apropriados.
Pesquisas futuras
Pesquisas futuras devem se concentrar na realização de ensaios clínicos randomizados para comparar diretamente ESP e PVB na reconstrução mamária autóloga, permitindo evidências mais sólidas de eficácia comparativa. Além disso, estudos que avaliem os resultados relatados pelos pacientes — como satisfação, retorno às atividades diárias e incidência de dor crônica — ofereceriam uma visão mais abrangente dos benefícios a longo prazo. Avaliar a relação custo-efetividade de ESP, PVB e infiltração local, particularmente no contexto de cirurgia ambulatorial, pode informar a tomada de decisão clínica e a alocação de recursos. Por fim, é necessária uma investigação mais aprofundada sobre as técnicas de ESP de injeção única versus técnicas baseadas em cateter, especialmente para pacientes com maior sensibilidade à dor ou aquelas submetidas a procedimentos bilaterais, a fim de determinar a abordagem ideal para analgesia sustentada.
Para informações mais detalhadas, consulte o artigo completo em RAP.
Ayyala HS et al. Bloqueios do plano paravertebral e eretor da espinha diminuem o tempo de internação em comparação com analgesia por infiltração local na reconstrução mamária autóloga. Reg Anesth Pain Med. 2025;50:339-344.
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